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Vidas Secas: um dos títulos mais importantes da 2ª Fase do Modernismo

  • Foto do escritor: isabellesiilva060
    isabellesiilva060
  • 21 de ago. de 2018
  • 2 min de leitura



O título do romance de Graciliano antecipa alguns de seus aspectos essenciais. De fato, “vidas” remete aos indivíduos cujas existências serão focalizadas na narrativa, “secas” tanto aponta para a condição natural quanto para a falta de perspectiva das personagens. O narrador em 3ª pessoa explora o monólogo interior para expor ao leitor os pensamentos das personagens que, de outra forma, não se abrem para o mundo.

Esse isolamento dos membros da família é reproduzido na própria estrutura do romance, que é dividido em capítulos relativamente independentes. Alguns deles trazem em seus títul

os os nomes das personagens, que são, então, apresentadas de forma mais aprofundada. 

Dessa forma, a narrativa apresenta os desejos mais íntimos de Fabiano e de sua família. O vaqueiro gostaria de ter mais desenvolvida a faculdade de expressão para se comunicar com os outros. Sinha Vitória almeja uma cama de couro, símbolo de certa abastança e de fim da vida nômade. O Menino mais novo deseja ser igual ao pai, enquanto seu irmão se vê às voltas com os mistérios das palavras. Também a cachorra Baleia merece seu capítulo, aquele que narra sua morte, momento em que ela pensa em um mundo de comida abundante que acabasse com a carência da família. 

Os capítulos independentes mostram ainda a dificuldade de comunicação das personagens, sobreviventes que pouco se abrem a expansões sentimentais. Para reproduzir na linguagem a mesma secura, o narrador utiliza poucos adjetivos.

As festas e os períodos de chuva mantém a apreensão sofrida de todos, demonstrando que, se a seca é um problema, não é o único. Essa circunstância sugere que Fabiano e sua família, mais do que oprimidos pelo meio ambiente, são colocados como vítimas de mecanismos sociais opressivos, representados pelo patrão e pelo Soldado Amarelo.

Ao longo de toda a narrativa, Fabiano oscila entre a condição de homem e a de animal. No final, quando mantém a capacidade de sonhar, imaginando uma vida melhor no futuro, parece demonstrar que o que há nele de humano supera a tendência à animalização que a opressão insiste em lhe impor.

Pedro Gabriel

 
 
 

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